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Girando a América
do Sul pelo Litoral |
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Tierra Del Fuego
Ao final da manhã,
antes do meio dia, a dupla cruza a fronteira cometendo o primeiro deslize
da grande viagem, pois a Aduana, um tipo de barreira policial internacional,
estava com trânsito livre, sem se preocupar com os veículos que entravam
e saiam; o casal foi na onda e deixou de carimbar os passaportes e tirar
a autorização para transitar no Uruguai com veículo próprio, uma falha
gravíssima, pois toda vez que se cruza à fronteira de um país para o
outro é obrigatório fazer todos os trâmites legais.
Punta Del Este é
reconhecida internacionalmente como o principal balneário da América,
está situada no departamento de Maldonado
e oferece tanto praias oceânicas como praias de rio, qualquer uma delas
vale a pena conhecer, a maior parte do tempo vive em baixa temperatura,
mas dezembro e janeiro ficam lotadas, passa
ser o lugar mais freqüentado pelos uruguaios, brasileiros e argentinos,
suas principais praias são Portezuelo que está localizada na serra de Ballena; Emir, Brava e San Rafael
depois da ponta da Península; finalmente praia da Barra onde está localizada
a ponte ondulante. Existem muitas personalidades brasileiras importantes
que possuem imóvel no local. A visita foi rápida, pois fazia muito frio e ventava bastante, o casal
aproveita a situação e vai para um bom restaurante tomar um bom vinho
e comer uma boa macarronada, depois seguem para a capital Montevidéu,
uma grande cidade situada sobre o estuário do rio da Plata,
a qual oferece mais de vinte quilômetros de amplas
praias de areias grossas. Pocitos é
uma praia tranqüila, bastante freqüentada pela população local. Carrasco
é o bairro mais importante da capital com casarões
antigos e modernos, ruas bem arborizadas, lugar tranqüilo e uma
extensa praia de areia fina e existe no local o famoso Hotel Casino
Carrasco, uma boa pedida pra quem gosta de uma jogatina.
Trafegando-se pela avenida Buleward um dos
lugares mais movimentado de Montevidéu, pensou-se em pernoitar pela
redondeza e conhecer um pouco da rotina noturna do lugar, mas continuando
o fluxo do trânsito e um olha daqui, um olha dali e acabou-se chegando
na orla marítima, nesta altura do campeonato o casal sai a
procura de uma pousada pela parte litorânea com um preço de promoção,
mas acaba tendo dificuldade devido a problema de orientação local, pois
era um tal de corre corre pra todo lado, um movimento danado, estava ficando complicado
localizar um local para o pernoite, pois nem área de camping foi encontrado
na região, então se decidiu seguir viagem destino a Colônia Del Sacramento. Colônia Del Sacramento é uma cidadezinha litorânea onde fica o porto para se fazer à travessia no rio Del Prata para Buenos Aires, uma região fronteiriça, mais uma Aduana pela frente, agora entre Uruguai e a Argentina. A chegada no porto foi lá pelas sete horas do anoitecer, aproveitou-se do horário para consultar na dita Aduana quais os trâmites legais e os preços das passagens tanto para o casal como também para a negona. A informação obtida era que tinha um navio saindo as quatro e meia da madrugada e que a travessia levaria cerca de três horas e que toda checagem dos documentos poderia ser feita antes do embarque sem nenhum problema, então tiolourival e gg vão para o Hotel Heleno que fica nas imediações e se prepararam para levantar as quatro da madruga, o tempo estava bom e até fazia uma boa temperatura, aproveitou-se para fazer um lanche que no país é chamado de chivito, um tipo de lanche rápido meio parecido com o nosso hambúrguer. Tomou-se uma boa ducha bem quente e o cansaço tomou conta de tudo, o casal é acordado pelo porteiro do hotel as três da madruga e rapidinho os aventureiros já estavam na Aduana.
As passagens
compradas e documentação em mãos lá vai
o tiolourival para o balcão de checagem, de cara já deu zebra,
pois o coroa sempre usa uma carteira de identidade militar, mas as autoridades
locais não aceitaram, pois elas queriam uma cédula de identidade, aquela
que todo mundo usa, pois é, a dita cuja como nunca era usada se encontrava
no fundo do baú, numa daquelas malas lacradas no interior da carroceria
da negona, pra piorar, o tempo estava muito curto para o horário da
saída do navio, foi um sufoco, foi um corre corre
dos diabos, tudo estava contra ao tempo e pra complicar ainda mais,
na hora dos carimbos dos passaportes a autoridade verificou que o casal
não tinha o carimbo de entrada no Uruguai, então aí a coisa ficou preta
e a hora da saída do navio estava no final, o marinheiro já tinha dado
o primeiro aviso e, agora jacaré, pensava o coroa, chora daqui, chora
dali, conversa daqui, conversa dali lá se foi até a autoridade maior
no local, não deu outra, multa na jogada, lá vai a primeira mordida
dos uruguaios, isto é, vinte dólares no ato e assim se resolveu o problema
para se embarcar no navio, exatamente na última chamada do marinheiro.
O navio bastante confortável e a travessia foi excelente.
A chegada em Buenos Aires foi ao nascer do sol, lá pela sete e trinta, muito lindo o visual, onde se via os principais edifícios de luxos da capital Argentina, fazia muito frio e ventava bastante, a partir deste momento o casal se preparou seriamente com seus artigos de vestimentas para encarar o frio. Ficou-se o dia inteiro na capital resolvendo problemas de trâmites cambiais, dando adeus ao peso uruguaio e comprando peso argentino, nessa altura do campeonato ninguém mais se lembrava do real. Aproveitou-se do tempo vago na capital federal para rever o mapa do
país e traçou-se o seguinte itinerário para chegar na província Tierra Del Fuego: La Plata a capital da província
Buenos Aires, pernoitando na cidade de Mar Del Plata;
Viedma a capital da província Rio Negro, visitando
a cidade de Bahia Blanca; Rawson
a capital da província Chubut, visitando a
cidade de Puerto Madryn na península Valdéz; Rio Gallegos a capital da
província Santa Cruz, visitando Comodoro Rivadavia, Puerto San Julian e Piedra Buena e; por fim, Ushuaia a capital
da província Tierra Del Fuego,
visitando o canal de Magalhães e a cidade de Rio Grande. Aproximadamente
três mil quilômetros pelo litoral atlântico sul. Depois de conhecer alguns lugares de Buenos Aires, as informações que se obtinha a respeito de estradas, de pousadas, de camping era sempre com uma informação preocupante, o tal de assalto aos veículos de estrangeiros, pois a Argentina anda com problemas políticos, passando por uma crise muito grande, a população mais pobre na miséria, isso tudo deixou o casal com a pulga atrás da orelha, então para ficar tranqüilo planejou-se seguir viagem para a cidade turística Argentina que é Mar Del Prata, na província de Buenos Aires, um lugar lindíssimo, praias interessantes, uma cidade de moderna e coloridas edificações, possui uma magnífica infraestrutura turística, também é considerada o principal centro turístico da costa atlântica Argentina e um dos balneários mais importantes do mundo.
Mar Del Plata possui o principal porto pesqueiro do país. A escolha do casal foi ótima para fazer o primeiro pernoite em território argentino. Chegou-se no balneário de Mar Del Prata lá pelas vinte horas, chovia
e fazia frio, hospedou-se em um bom hotel chamado de Hotel Augusto na
beira da praia e bem próximo do centro, sem se preocupar com o tempo,
com as burocracias, o casal foi comer aquela pizza e tomar aquele vinho,
dormir tranqüilamente e só levantar lá pelas dez do outro dia. A negona
já registrava na região cento e dois mil quilômetros rodados sem nenhum
problema a vista. Depois de dois pernoites em
Mar Del Prata o casal segue destino para Viedma. Viedma é a capital da província Rio Negro, situada sobre a margem direita do rio de mesmo nome da província, uma cidade de modernas edificações, avenidas amplas, cerca de quarenta mil habitantes e uma região rica em cultura da maçã. O casal só pernoita na região e no dia seguinte segue para Puerto Madryn. Puerto Madryn é uma cidade pertencente ao patrimônio da humanidade, localizada na província de Chubut, no centro da Península Valdés, é uma das cidades mais importantes da Patagônia Argentina, está circundada pelo golfo San José e o golfo Nuevo, recebe turista do mundo inteiro, principalmente aqueles que se interessa pela vida marinha, por isso que ela é chamada de capital subaquática argentina. Baleias e lobos marinos são os animais encontrados na região.
Os aventureiros chegam na cidade na parte da tarde e se instalam no Hotel Carrera. A dupla aproveita-se do adiantado da hora, prepara as bikes e sai para pedalar, mal se chegou na praça principal, a beira de uma linda praia, águas transparentes e bastante fria, verificou-se que os pneus das bicicletas estavam murchando, pois é, furou logo três pneus de uma só vez, fazer o que, colocou-se as ditas cujas ao lado de um poste, passou-se o cabo de aço ao redor e trancou-as, para poder curtir o resto da tarde e ver o por do sol de frente com aquela praia maravilhosa. A época era fora de temporada então o casal só permaneceu na região um pernoite e segue destino a Puerto San Julian Puerto San Julian fica na província de Santa Cruz e está localizada
entre o Cabo Curioso e Punta Desengano, Puerto San Julian é uma Bahia com
belas praias e muitos atrativos naturais. Existe na região uma ilha
povoada por uma grande colônia de pingüins que é o ponto alto do turismo
local. O casal sai de Puerto Madryn
bem cedo com muito frio, faz uma parada em uma das mais belas regiões
litorânea da Argentina, Comodoro Rivadavia,
regiões onde se vê muitos morros ondulantes. A permanência na cidade foi o suficiente para o almoço e tirar algumas fotografias do local. A chegada
em San Julian se deu lá pelas vinte horas,
hospedando-se no Hotel Municipal em frente ao mar, fazia muito frio,
como era época fora de temporada a cidade estava calma.
Ainda era cedo, depois de um ótimo descanso, deu-se um passeio pela orla para ver como era, como a cidade é pequena, foi coisa de pouco tempo. Na mesma manhã o casal segue para Rio Gallegos, pois o objetivo principal da viagem era chegar na Tierra Fim Del Mundo. A negona estava registrando três mil e quinhentos quilômetros de Curitiba. Rio Gallegos é a capital da província de Santa Cruz, está na margem sul do rio de mesmo nome, a capital é o ponto de apoio para aos turistas internacionais que visitam o Parque Nacional Los Glaciares declarado patrimônio da humanidade. Chegou-se em Rio Gallegos na hora do almoço, hospedando-se no Hotel Nevada. A tarde é aproveitada para fazer uma revisão geral na negona e arrumar os pneus das bicicletas logo em seguida tiolourival e gg saem para pedalar pela cidade e visitar a orla fluvial e ver o por do sol numa região que está muito perto da Antártida, afinal de contas, as Malvinas fica cerca de mil quilômetros da capital de Santa Cruz. A negona e as bikes todas revisadas e engraxadas,
depois de um bom jantar, a dormida foi excelente, o desejo de chegar
ao Fim Del Mundo era tão grande que o casal perdeu a hora de acordar
e acabou saindo de Rio Gallegos destino ao
canal de Magalhães as quatro da madruga. Para
se chegar em Ushuaia é obrigatório atravessar um pedaço do sul do Chile.
O casal chega na fronteira antes do canal numa região chamada de Astral
as cinco e os aduaneiros só começam as atividades
de fiscalização a partir das nove. Aproveitou-se do adiantado da hora
para tirar um cochilo na cabine da hilux,
chovia muito e fazia um bocado de frio.
A chegada na travessia do canal foi lá pelas onze horas, Lourival e
Ângela eram os primeiros da fila, enquanto a balsa não chega tira foto
daqui, tira foto dali, logo em seguida chega um argentino procurando
pelo tiolourival, coisa estranha para o casal, afinal de contas,
não tinham conhecidos na região, após as apresentações, o argentino
entregue ao tiolourival sua carteira de motorista
a qual tinha ficado na Aduana, foi aquela alegria
total, o coroa ficou muito feliz, pois só em pensar que poderia ficar
desabilitado para dirigir o resto da viagem, fazia o cinquentão
chorar de alegria, parecia até um aviso ou uma mensagem para que o casal
ficasse mais atentos pela caminhada. Assim que o casal entra novamente em território argentino, já na hora
do almoço, só tinha pela frente a cidade Rio Grande antes do fim da
estrada que neste momento passa ser chamada de ruta de rípio, um tipo de pedregulho
existente na região, uma pista muito perigosa para aos motoristas
menos desavisados, muito cuidado na direção, cuidado com as curvas,
cuidado com as ultrapassagens e principalmente com a velocidade, recomenda-se
setenta quilômetros por hora como velocidade máxima. Novamente em território argentino chega-se na
penúltima cidade do país, Rio Grande, capital econômica da província
Tierra Del Fuego com uma população
de uns trinta e oito mil pessoas. Depois de
um almoço bastante fraco e uma temperatura por volta dos cinco graus,
o casal tinha em mente de chegar a capital turística da província Tierra
Del Fuego ainda no mesmo dia, numa quarta-feira
de cinzas, na esperança de passar a semana santa em Ushuaia.
Tiolourival passa a direção da negona para a copilota, afinal de contas, só tinha duzentos quilômetros para se chegar ao fim da estrada conhecida como sendo o fim do mundo e o extremo terrestre mais ao sul da Argentina, Parque Nacional de Lapataia, Ushuaia. A negona registrava cerca de cinco mil quilômetros de estradas rodadas desde da cidade de Curitiba. Tudo corria normalmente, os
dois na maior empolgação por estar cumprindo a primeira etapa do roteiro,
nesta altura do campeonato é só curtir o frio, as montanhas de gelo
e uma estrada de rípio perigosíssima, mas o tempo estava bom, nem fazia sol,
mas nem chovia, temperatura interna da negona
por volta dos vinte graus, pois o aquecedor funcionava perfeitamente
como a camioneta de um modo geral. A dona Ângela estava exagerando um
pouco na velocidade por causa daquela ansiedade de chegar ao fim do
mundo, quando estava faltando somente uns cem quilômetros, na região
do lago Valdez, um lago de águas paradas que
mais parecia um lençol bem estendido, o sol refletindo na superfície
mostrava ao casal um lugar indescritível, um belo cartão postal, mas
nem tudo é perfeito nesse mundo em que vivemos, existe o lado bom como
também existe o lado ruim, pois bem na região do lago, na curva Valdez, surge na frente da negona
o lado ruim da vida. A Ângela vinha numa velocidade de uns setenta por horas e não sabendo qual o motivo, mas a copilota esqueceu da velocidade, vai fazer a dita curva sem diminuir a rapidez, quando estava fazendo a curva deu-se de encontra com um veículo que vinha de sentido contrário aproveitando a trilha na pista deixada pelo tráfego normal dos veículos e, nessa enrascada, sem saber o que fazer, se pisar no freio derrapa, se quiser fazer as reduções nas marchas o tempo será insuficiente. A solução para o momento foi sair da trilha para dar passagem ao veículo
que vinha e, essa não foi uma boa idéia, pois a negona ao sair da trilha
já saiu derrapando e a tentativa de retorno foi um desastre e Ângela começa a sentir que não tem mais o domínio
da direção, com o susto pisou no freio, aí deu a impressão que a velocidade
passou de setenta para cento e quarenta.
A visão de quem está dentro
da cabine é assustadora, pois fica sem saber pra onde se vai, ora está
de uma lado da pista, ora está do outro lado, fica naquele vai
e vem dos diabos e para piorar a situação o tiolourival
estava sem cinto e previu que o final daquele vai e vem não seria uma
boa coisa, tratou-se logo de se agarrar em algum lugar e ficar torcendo
por um final feliz. A negona deu sinal que iria
sair da pista, mas a curva é daquelas acostumadas
com acidente do tipo perda total de veículo e na maioria dos
casos com morte de passageiros, com isso ela é protegida em ambos lados
com uma murada de ferro que tem uma altura de oitenta centímetros, já
com a finalidade de evitar que os carros desgovernados vão parar dentro
do lago Vadez, pois ele costuma estar numa
temperatura por volta do zero grau, dizem que quem cai dentro dele tem
somente três minutos para sair de lá, senão congela no local; pois é,
numa daquelas atravessadas pela pista, lá vem a hilux numa diagonal e pega a proteção de ferro na altura do
protetor de pára-choque dianteiro e dá um salto mortal mal feito caindo
dentro de uma mata formada por uma vegetação baixa espinhenta chamada
de calafate o que suavizou o impacto ao solo. Teto amassado e pára-brisa quebrado o resto foram algumas escoriações pelos pára-lamas e a capota de fibra que se trincou em alguns lugares, mas nada que não tivesse conserto. A camioneta depois do capotamento se escorregou
por cima dos arbustos ficando encavalada em
cima de alguns troncos de árvores, isto é, mesmo enroscada nos troncos
ela parou de pé, no momento as portas ficaram travadas pelos arbustos
e o casal saiu pelo local do pára-brisa, sem nenhum arranhão, somente
o tiolourival que estava sem cinto teve algumas luxações do
lado direito do corpo, mas nada que não passagem de um grande susto. A co-pilota choramingava pra lá e pra cá ainda muito assustada, o tiolourival muito tranqüilo em nenhum momento perdeu a calma, tratou logo de arrumar a bagagem que nesta altura do campeonato estava espalhada pela mata, logo em seguida apareceu a polícia e a ambulância, o enfermeiro tirou a pressão de cada um e verificou que tudo estava normal, a polícia liberou a ambulância e ela mesma providenciou o socorro tanto para o casal como para a negona. Dona Ângela mesma assustada sacou da máquina fotográfica e tirou vários fotos do local enquanto se fazia à retirada da negona. O atendimento do acidente foi tão rápido numa região bem deserta por causa de um pessoal fazendeiro na região do lago que assistiu de camarote a barbeiragem da gg e de imediato passaram um radiofonia para polícia e para o pronto socorro. As pessoas da fazenda fizeram um papel importante, fizeram sua boa ação de graça, afinal de contas, era semana da páscoa, sorte para o casal Loange que com certeza receberam seus ovos de páscoa abençoados por Deus.
Assim que o socorro fez as providências iniciais, os policiais acharam por bem que o casal deveria seguir para a última cidade Argentina que é Ushuaia, pois só faltava uns cem quilômetros, assim as providências foram tomadas e a chegada na cidade se deu por volta de uma hora da madrugada, fazia um frio enorme, era tanto o frio que o casal não tinha tempo nem para se lembrar do acidente, só pensava num banho muito quente e uma sopa quase fervendo. Pousada Kayen foi o lugar escolhido, um tipo de albergue em que os próprios proprietários atendiam as pessoas, inicialmente a recepcionista levou aquele susto de imediato, mas as providências rapidamente foram tomadas para que os brasileiros ficassem confortavelmente instalados. Ana Maria e Hugo que são os proprietários do albergue deram tanto atenção ao casal Loange que a impressão que se tinha é que o tiolourival e a gg tivessem chegado na casa dos familiares depois de uma longa viagem e que todos estivessem morrendo de saudades, foi uma recepção pra nenhum turista botar defeito. O casal dormiu a noite toda e só acordou lá pelas dez horas. Ao invés de fazer o café, aproveitou-se do atraso para preparar logo o primeiro almoço na Tierra Del Fuego. Durante o almoço surge a presença de Ana Maria
para fazer as apresentações do casal aos hóspedes ali presentes e conversa
aqui, conversa ali, dona Ana comentava que a chegada do casal Loange era prevista por ela, mesmo sem reserva, pois queria
ir deitar-se, pois esteve o dia inteiro pra lá e pra cá, estava exausta,
mas estava um pouco angustiada, com aquele pensamento de que alguém
poderia estar precisando de seus préstimos, alguma coisa avisando que
ele devia esperar mais um pouco antes de se recolher; por isso foi fácil
encontra-la para o atendimento de emergência
na madrugada, pois recém tinha fechado o livro caixa e ia fechar as
portas quando chegou a Grua, o nome dado pelos argentinos para um carro
reboque.
Ana ficou assustada pela estória contada pelo motorista, correu logo acordar o marido para fazer as boas vindas ao casal acidentado, de imediato preparou-se um quarto, embora todos já estarem reservados, pois era a semana da páscoa, rapidinho saiu àquela sopa de legumes super quente e tudo se ajeitou em poucos minutos. A vida é assim mesmo, pois
estória desse tipo faz com que a gente acredita cada vez mais que Deus
existe e que nos somos filhos Dele. Enfim, com todos os atropelos, o casal se encontra no Ushuaia e sua primeira etapa do grande giro internacional
chega ao fim, um sonho realizado e o nome corriqueiro do lugar não deixou
por menos, fim do mundo A negona foi para a chapeação e pintura, as bikes foram levadas para uma pequena oficina e sofreram os reparos principais; no dia seguinte as bicicletas já estavam em condições de uso, como a camioneta não tinha uma previsão de quando ficaria em condições de continuar viagem, então a solução inicial foi pedalar pela cidade, pois Ushuaia é uma cidade pequena e fácil para conhece-la andando de bike. Conhecer Ushuaia basta três dias, pois tem o passeio náutico pelo canal Beagles para conhecer na Ilha dos Estados os leões marinhos, as focas, os pingüins, uma variedade enorme de aves fueguinos e ver o farol do fim do mundo; um passeio turístico pela cidade; uma boa escalada na cadeia de montanhas Luiz Martial onde o gelo é constante durante todo ano, no inverno rigoroso é o lugar predileto dos esquiadores do mundo inteiro e: por fim, conhecer o último trecho territorial da Argentina que é o Parque Nacional Tierra Del Fuego na Bahia Lapataia onde fica o final da ruta três, a principal rodovia que liga Buenos Aires a cidade de Ushuaia.
O casal permaneceu na região por trinta e cinco dias, pois o reparo
da camioneta dependia de dias bons e ensolarados para poder secar
bem as suas partes a serem pintadas, coisa difícil para se conseguir
no Ushuaia, a temperatura anda sempre por volta dos cinco graus,
além dos dias que nevam, na maior parte do tempo está sempre garoando,
logo tempo ensolarado é uma exigência quase que impossível de se conseguir
na região Os donos da pousada Kayen foram à família da dupla de viajantes por mais de um mês e como bons conhecedores da região foram às pessoas que sempre levavam o casal Loange para conhecer os principais pontos turísticos da região. Nesse período teve o aniversário da dona Ângela, o tal acontecimento teve festa com direito a tudo, afinal de contas tiolourival e gg se sentiam como se estivessem em casa, teve parabéns em dois idiomas, o brasileiro e o castelhano, segundo a Ângela, foi o melhor e mais lindo aniversário que ela teve em toda sua existência.
Turista sem posses sempre
tem uma certa dificuldade com a parte financeira, mas o casal Loange,
sem querer, querendo escolheu um lugar certo para ficar no Ushuaia,
o total das despesas foi quatrocentos dólares na pousada e mil dólares
com a camioneta, isto é, ainda sobrou algum trocado para os passeios
locais, evidentemente apoiado pelo senhor Hugo que foi uma pessoa muito
importante tanto na parte dos serviços destinados aos reparos da
negona como também na parte dos passeios turísticos, enfim ele
foi o cicerone e o condutor do casal pela região, afinal de contas,
turismo é o seu trabalho. O casal visitou quase tudo na região, viu os lobos marinhos; foi no farol do fim do mundo; fez escalada pelo gelo do Martial; foi visitar os castores, um tipo de roedores de árvores, a tal ponto de derruba-las; encarou uma nevasca que acumulou gelo cerca de oitenta centímetros de altura; sacou-se centenas de fotos, uma mais linda do que a outra; visitou o Parque Nacional de Lapataia onde se pode observar as principais árvores da região fueguina como a Lenga que se adapta muito bem a baixa temperatura e vive sempre a uma altitude de uns setecentos metros do nível do mar; o Guindo que é conhecido como sendo Coihue Magallánico e tem vida no meio dos bosques de Lengas; o Nhire de folhas roxas, avermelhadas ou amareladas tanto vive na água gelada como agüenta seca e vento e é mais encontrado em zona baixa; o Calafate um arbusto que pode chegar a quatro metros de altura, cheio de espinhos e frutos azulados e; o Pan de Índio sem folhas e frutos grudados no caule verde de cor amarelada; por fim, quando se está em um mirante vê a paisagem que se apresenta numa mistura de folhas verdes bem estriadas das lengas, as folhas roxas, amareladas e vermelhas das nhires, os frutos azulados das calafates e os frutos amarelados do pão de índio formam um espetáculo à parte da flora e bosques da ilha de Ushuaia, do Lago Fagnano, do Lago Escondido e do canal de Beagles.
O casal sai do fim do mundo com muita estória pra contar, uma grande lição de vida e um grande enriquecimento cultural. Agora o casal se prepara para encarar o grande bloco de iceberg na região do Parque Los Glaciares Perito Moreno. O casal sai de Rio Gallegos destino à cidade de Ushuaia no dia dezesseis de abril e retorna no dia vinte e dois de maio, trinta e cinco dias na capital da província Tierra Del Fuego. Agora a negona já se encontra
em estado de nova, toda pintada, parte mecânica revisada e rodas balanceadas,
a jornada dos brasileiros volta ao normal, passado é passado, a vida
continua. Antes de continuar o giro
internacional fez-se o seguinte itinerário: visitar o Parque Nacional
Los Glaciares pernoitando em El Calafate; retornando a ruta três, rodovia litorânea, passando por
Piedra Buena, Comodoro Rivadavia e pernoitando
na cidade de Sarmiento já na ruta vinte, rodovia
que atravessa o país em destino a cordilheira dos Andes; El Bolsón no Parque Nacional Lago
Puelo; San Carlos
de Bariloche e; por fim, Vila La Angostura ou El Cruce na Cordilheira dos Andes. Encerrando as aventuras na
Argentina. |
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