|
Girando a América do
Sul pelo Litoral |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Mar
do Caribe O casal se levanta cedo já com aquela ansiedade de que vai encarar
mais um país e lembrando que vem mais uma aduana, aquela burocracia
de sempre, então se prepara pra chegar na fronteira bem cedo, lá pelas
oito horas chega-se a pequena cidade de Zarumilla
em zona fronteiriça do lado peruano, neste horário o lugar já se encontrava
num caos, gente pra todo lado, um tal de arrumar barracas, lojas colocando
seus bagulhos na calçada, uma bagunça total, as pessoas só podiam andar
pelo meio da rua e, logo em seguida se apresentam dois garotos querendo
fazer o papel de cicerones, um ficou colado ao tiolourival
e o outro sempre ao lado da gg, dando todas
as informações possíveis e até as impossíveis.
Os trâmites legais do lado peruano foram rápidos, pois sair de um país é bem mais simples do que entrar. Ainda na mesma rua, após umas três quadras, surge à aduana equatoriana, rapidamente foi obtido os vistos dos passaportes e o próximo passo era pedir a autorização para que a negona pudesse trafegar livremente pelo país e, aí surge o maior problema enfrentado pelo casal até então. O equador não permite que estrangeiro trafegue pelo país com veículo próprio fazendo turismo. Brasileiro que é brasileiro não nega sua fama, se for preciso vai até ao papa, assim o tiolourival foi até a maior autoridade do local que é um coronel do exército equatoriano, feito às apresentações, apresentado às justificativas, convocado à autoridade jurídica e a solução mais adequada foi mostrada. O coronel determinou ao chefe dos aduaneiros para que escalassem um militar para acompanhar a hilux durante a travessia do equador, determinando que a tal missão fosse concluída em setenta e duas horas até a próxima fronteira, no caso a Colômbia. Assim foi o dia, chegou-se
na fronteira lá pelas oito da manhã e a saída foi planejada para ser
as dezenove. O militar indicado foi o cabo Lopez, residente
em Quito, um jovem com quase dois metros de altura, ex-boxeador, daqueles
que fala pelos cotovelos, uma voz assustadora do tipo militar carrasco
e de cara foi dizendo que ele seria o condutor da camioneta e que teria
que viajar a noite toda para chegar cedo na capital. Militar é militar
em qualquer lugar do mundo, sua primeira meta é cumprir a missão, custe
o que custar. Parecia que a coisa ia ser fácil, mas logo de cara surge
um grande problema, pois a cabine da negona só comporta o piloto e o navegador. A Pan Americana
é conhecida como a rodovia do sobe e desce, do vai e vem, logo sobra
para o tiolourival e cabo Lopez o trabalho
de pilotagem e navegação. A dona Ângela ficou na sobra e tinha duas
opções ou ela iria de ônibus ou tentaria arrumar um cantinho na carroceria,
logo de cara, ela dispensou a estória do ônibus e tratou logo arrumar
sua acomodação na parte traseira da hilux,
desta maneira sanou-se o obstáculo e a negona é colocada na Pan Americana
novamente e agora trafegando a noite, uma aventura que o casal ainda
não tinha experimentado.
Assim o planejamento turístico
para o equador fica para uma
outra oportunidade, deixando de conhecer a região de Guayaquil,
ilhas Galapagos e os vulcões Cotopaxi
e Cayambe que são os mais altos do país. Contudo,
o cabo Lopez que reside em Quito fez a sua parte. A chegada na capital
foi lá pelas cinco horas da manhã, a família Lopez já tinha preparado
tudo para receber a dupla de estrangeiros, todos atenderam o casal Loange
como se fosse da família.
Lopez reservou o dia todo
para mostrar a cidade e fazer com que o tiolourival
e gg conhecesse o ponto turístico mais importante do país que
é o marco zero da linha equatorial do globo terrestre, foi uma experiência
maravilhosa conhecer um lugar que só se conhecia das aulas de geografia
do primeiro grau. A família Lopez agora faz
parte da lista de amigos do casal Loange,
a vida é assim mesmo, amigo se faz em qualquer lugar do mundo. O dia amanhece lindo e já bem cedo lá estava Polete, primogênita do casal, preparando aquele rico café que seria o fechamento de ouro na cidade de Quito, pois seu pai tinha menos de dois dias para liberar a hilux e fazer os trâmites legais para sair do país e entrar na Colômbia. A chegada na fronteira com a Colômbia numa cidade equatoriana de nome Turcan se deu lá pelas quatorze horas. Após o almoço o cabo vai fazer os trâmites legais da saída da negona do país e o casal vai para as aduanas tratar dos vistos dos passaportes o que foi fácil, pois era na parte da tarde que normalmente não tem quase ninguém na fila, mas a parte do militar foi um tanto complicado e não se pode resolver tudo na mesma tarde, ficando as assinaturas das autoridades locais para o dia seguinte, então o casal resolve pernoitar em Turcan, assim não seria necessário fazer o câmbio do dinheiro, pois no equador a moeda é o dólar.
Após as dez horas do dia seguinte tudo estava liberado para que o casal seguisse suas aventuras agora em território colombiano, famoso pelas atividades terroristas. Cabo Lopez só liberou a custódia da hilux na cidade colombiana chamada Arenilla a trinta quilômetros da fronteira, dando uma aula completa sobre os problemas que os turistas costumam ter na região e fazendo mil e uma recomendações. Assim Lopez volta para Quito
e o casal segue o giro internacional tendo em mente visitar na Colômbia
somente as cidades de Cali, Medellín e Cartagena
no mar do Caribe, tendo em vista a um grande número de seqüestros de
turistas estrangeiros pelos os terroristas colombianos. A primeira cidade colombiana escolhida para fazer uma revisão geral na negona foi Pasto aonde à chegada foi lá pelo meio dia. Pasto é a capital do departamento de Narinho e se encontra situada a uma altitude de uns dois mil e quinhentos metros. Pasto é considerada uma das mais antigas cidades da Colômbia e está localizada no pé do vulcão Galeras e a maioria de sua população é de origem indígena. Após a revisão na hilux o casal segue caminho e faz o primeiro pernoite em território colombiano numa pequena cidade chamada de Chachagui numa região serrana com um lindo visual, o pernoite foi tranqüilo. A partir desse local, a dupla de aventureiros começou a ficar com a pulga atrás da orelha com relação à preocupação com os terroristas, pois a Pan Americana de trecho em trecho tinha uma barreira policial, com soldados fortemente armados, era o exército na rua para proteger os veículos que transitavam pela rodovia federal contra a possíveis ataques de guerrilheiros que vivem na amazônia colombiana. A caminho de Cali muito sobe e desce, um visual mais lindo do que outro e se vê áreas e áreas de terras férteis. O casal escolhe a cidade de
Popayán para o almoço e descobre que o maior orgulho da população
é sua Semana Santa cujas celebrações são consideradas como sendo uma
das mais famosas do mundo e o ponto alto das festividades para os turistas é o Festival Internacional
de Música Religiosa. Cali é uma cidade rica, considerada a capital da salsa colombiana, muito tempero verde, possui um grande centro açucareiro do país, junho tem as Macetas que são festas em celebração aos Aleijados, dezembro é o mês da Feira Internacional da Cana de Açúcar e um ponto turístico muito visitado é o Monumento das Três Cruzes localizado no alto da montanha onde se pode apreciar uma bela vista panorâmica da cidade.
Hotel Residenciais
Belmonte com linda fachada e com cara de quatro estrelas foi escolhido
pelo casal para dois pernoites, pelo preço das diárias, por volta de
quinze dólares, um entre e sai de casais o dia todo, descobriu-se que
os brasileiros estavam num hotel rotativo, melhor dizendo, num motel
com fachada de hotel, mas tudo correu direitinho, atendimento especial
e uma boa garagem para a negona fizeram com que o casal tivesse uma
ótima estadia na cidade. A caminho de Medellín novamente o sobre e desce, o que é uma constante nas estradas colombianas. Lá pelas quinze horas chega-se em Medellín que é a única cidade colombiana que possui metrô, ela fica no Vale Aburrá e é apelidada por uns de a capital da montanha e por outros de a cidade da eterna primavera devido a sua temperatura média anual por volta dos vinte e quatro graus, ela é um grande centro industrial têxtil e a região pertence ao departamento de Antioquia. Os objetivos dos brasileiros
eram chegar no mar do Caribe, então continua na Pan Americana e escolhe
uma cidadezinha no topo de uma montanha com um nome estranho, Santa
Rosa de Ossos, para pernoitar e depois seguir para Cartagena
no Caribe.
Cartagena é considerada a capital do mar do caribe, ela está localizada em uma das mais belas baías do continente sul americano, com uma temperatura anual de vinte e oito graus, com uma população por volta dos setecentos mil, ela é circundada por um muralha que tem cerca de onze quilômetros, construção feita no século dezesseis com a finalidade de proteger a cidade dos ataques piratas, ela é a primeira cidade colombiana declarada patrimônio histórico da humanidade.
Cartagena é uma cidade que vive principalmente do turismo internacional e seu
ponto alto para o mundo turístico são o Festival Internacional do Cinema,
Festival de Música do Caribe e o Festival de Jazz Miss Tanga. O casal chega na cidade por volta das dezoito horas e escolhe o Hotel Bellavista em frente à praia de Marbella para passar dois dias e conhecer um pouco da região. A cidade está dividida em duas, a parte antiga que é circundada pela muralha, o ponto alto do turismo na região e, a parte moderna destinada para setores residenciais. Existem várias lagoas de águas salgadas em áreas urbanas tendo em vista que Cartagena se encontra a uma altitude por volta de dois metros ao nível do mar.
O que impressiona as pessoas que chegam na cidade da muralha é o grande tráfego de pequenos ônibus fantasiados, cada um com a sua fantasia própria principalmente no pára-brisa, uns parece aqueles óculos das mocinhas dos anos vinte, outros parece uma tela de televisão e tem aqueles que parece olhos mágicos, cada linha de ônibus tem a sua característica. Assim se encerra mais uma etapa do giro internacional com sucesso. A próxima missão é cruzar a Venezuela beirando o mar do Caribe e a amazônia brasileira de norte a sul. Terminada a visita em Cartagena o casal pega a estrada logo bem cedo com destino a fronteira com a Venezuela. Uma rodovia espetacular, beira mar, passando por Barranquilla, Santa Marta, Riohacha e Maicao, sem aquela estória de sobe e desce, aquele vai e vem dos diabos. Mais uma aduana pela frente na região de Maicao. O casal chega na região aduaneira na hora do almoço, os trâmites legais foram feitos rapidamente, pois o movimento fronteiriço naquele horário estava tranqüilo.
Agora em território venezuelano os aventureiros escolhem a cidade de Maracaibo no Golfo de Venezuela para o primeiro pernoite venezuelano. O que chama atenção dos estrangeiros logo que entram em território venezuelano é o grande tráfego de veículos bastante antigos, do tipo banheirão, sem muito tratamento mecânico, uma verdadeira velharia ambulante, logo se descobre o motivo de tanto carro velho e gastador de combustível, pois a Venezuela é um país rico em petróleo e seu combustível é muito barato em relação ao custo de vida da população o que não se pode dizer a mesma coisa em relação aos preços dos automóveis. Encher o tanque da negona na Venezuela é o equivalente ao preço de um prato feito de comida num restaurante brasileiro, cerca de dois dólares. O casal chega em Maracaibo lá pelas dezoito horas e escolhe o Hotel Beira do Lago para o pernoite. Foi uma dormida tranqüila, pois a Colômbia com aquela estória de terrorista deixou o casal um pouco estressado, isto é, foi um sufoco cruzar o país do tráfego durante uma semana, o pernoite em Maracaibo parecia um lugar de adaptação de quem está saindo de um campo minado, alívio total. Aproveita o local para o fazer o câmbio, pois na Venezuela o Bolívar é o dinheiro usado. Tirando o Peru que é o Solo e equador que tem vergonha do seu Sucre prefere o Dólar, o restante é tudo na base do Peso. O dia amanhece ensolarado, temperatura lá pelos vinte e cinco graus, o frio, o deserto e o sobe e desce já era coisa do passado, agora o casal se encontra em território petroleiro e no litoral do mar do Caribe, o pensamento era só no Brasil, cansado de estrada, quase vinte mil quilômetros rodados, cerca de três meses longe da família, a saudade de casa era grande. Logo cedo a negona já está na estrada a caminho de Caracas e a chegada na capital foi lá pelas dezessete horas.
Caracas é uma cidade rica pois ela é a capital do petróleo caribenho, está situada entre montanhas, muitos bairros ficam nessas elevações, existem prédios situados nos cumes dos morros, existem muitos túneis na cidade por causa das enumeras elevações, avenidas que sobem e descem, ruas que circundam os morros de cima a baixo. A chegada na cidade é descendo
uma montanha com uma visão deslumbrante e a saída para o litoral do
caribe é encontrada depois de várias entradas e saídas dos principais
túneis da cidade, diga de passagem, é uma loucura trafegar pela cidade
no horário comercial, mesmo assim, Caracas não deixa de ter suas belezas
naturais e ecológicas, vale a pena conhece-la. A dupla de aventureiros chega em La Sabana, litoral caribenho no estado Vargas, próximo de Caracas para o pernoite, lá pelas dezenove horas, escolhe uma pequena pousada na beira do mar, num lugar que em dezembro de noventa nove quase foi varrida da face da terra por causa de um grande maremoto surgido na região, estima-se o desaparecimento de cinco mil pessoas entre moradores locais e turistas, mesmo assim o casal escolhe o local que ainda hoje está em reconstrução no meio de muitas ruínas, para sentir a energia positiva ou negativa do lugar. A energia que ronda o local parece positiva, pois nada de anormal aconteceu e o amanhecer foi tranqüilo, maré mansa, dia ensolarado e a temperatura registrava uns vinte e cinco graus. O casal se prepara para colocar a negona num trecho off road que vai de Higuerote até Boca de Uchire, no estado Miranda, cruzando o Parque Nacional Laguna de Tacarigua, um trecho de estrada de barro, escalando uma montanha de mais de dois mil metros de altura, numa estradinha no meio da mata atlântica, de vez em quando um visual do mar pra ninguém botar defeito, passando por algumas vilas de pescadores no pé da montanha, uma aventura para ficar na estória.
O destino dos brasileiros
era o Puerto de La Cruz, no estado Anzoategui, perto do Parque Nacional Mochima,
uns dos locais para embarque nos navios que fazem
a travessia do litoral à ilha de Margarita,
no estado Nueva Esparta, um lugar de lindas praias, águas limpas
e quentes. O casal chega no porto lá
pelas dezesseis horas, escolhe o Hotel Neptuno
para as acomodações durante o período escolhido pra ficar na região
e aproveita a estadia pra por as contabilidades em dia. O Brasil é a próxima meta e será a penúltima etapa do giro internacional. A saída de La Cruz se deu bem cedo, devido o grande trecho a ser feito pela selva amazônica venezuelana, escolhe a pequena cidade de Las Claritas, no pé da serra de Lema, no Parque Nacional Canaima, no início do Maciço de Guayana perto da fronteira com o Brasil para a última estadia em território estrangeiro. Até então o casal tinha por meta almoçar em restaurante, mas o café da manhã e o jantar era missão da dona Ângela para ser realizada no seu fogareiro de uma só boca e, diga de passagem, foi um sucesso, seu café era de primeira qualidade, sua polenta com lingüiça ou seu macarrão ao alho e óleo era de lamber os beiços, pra filho de bugre nenhum botar defeito, bugre é a descendência do tiolourival por parte de pai. O presente para a gg em território brasileiro era que o casal iria pernoitar somente em hotéis com café da manhã e a noite os lanches seriam feitos também em restaurantes, curtindo de vez em quando um bom chope, afinal de contas, a grana destinada para os gastos mensais já apresentava algumas economias, por isso já se podia fazer alguns gastos extras, tudo em nome de um bom planejamento, aquilo que inicialmente parecia impossível verificou-se que se podia transformar em realidade. Planejamento é o segredo do sucesso, vale a pena planejar. Assim que o casal entra na selva pode observar como é linda uma mata fechada em que só tem a estrada pela frente, a qual parece um túnel sem fim, uma grande parte do tempo não se vê nem o sol, é mato pra todo lado, uma sensação de perdidos na selva, um espetáculo à parte, um cheiro de mato o tempo todo e assim foi o tráfego durante o dia todo até chegar na serra de Lema na pequena cidade de Las Claritas uma cidadezinha que vive principalmente do garimpo. O pernoite foi um tanto ansioso, ninguém dormiu direito a noite toda, o pensamento era o Brasil, a saudade era grande. O dia amanhece chuvoso, mas mesmo assim, bem cedo a negona já estava na estrada a caminho da fronteira.
Assim que aparece uma clareira na meio da selva na região de La Gran Sabana se tem à idéia de que já está chegando na fronteira brasileira e a última cidadezinha é Santa Helena de Uairén. Encerra aqui as aventuras do casal Loange em territórios estrangeiros. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||